Etapa Decisiva: Audiência pública na ACS apresenta estudos para o tombamento da Mureta da Ponta da Praia.
Trecho Original: Processo abrange o perímetro da Avenida Rei Pelé, entre a Rua Carlos de Campos e a Praça Gago Coutinho.
Resgate Histórico: Inaugurada em 1945, estrutura projetada pelo engenheiro Carlos Lang pode virar patrimônio imaterial.
Mais do que uma contenção para a maré ou um parapeito para contemplar os navios que entram pelo canal do porto, as muretas da Ponta da Praia formam o traço arquitetônico mais marcante da identidade santista. O processo que visa formalizar esse valor afetivo e histórico deu um passo decisivo com a realização de uma audiência pública na sede da Associação Comercial de Santos (ACS).
Organizado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa), o debate apresentou o laudo técnico que fundamenta o pedido de tombamento do trecho original da estrutura, situado na Avenida Rei Pelé, entre a Rua Carlos de Campos e a Praça Almirante Gago Coutinho.
A consulta popular abre caminho para que o órgão delibere sobre a preservação física da mureta e a sua chancela como patrimônio cultural imaterial da cidade.
Diante de questionamentos sobre possíveis restrições urbanísticas na orla, a administração municipal esclareceu que a medida não acarretará o congelamento da região. O foco reside no resgate histórico e no regramento para intervenções futuras, garantindo que as características originais do projeto não se percam.
Presidente do Condepasa e secretário municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade, Glaucus Farinello destacou o caráter democrático da etapa.
"É uma oportunidade de apresentar os estudos, ouvir as pessoas e garantir o contraditório. A mureta compõe a paisagem da praia, mas também está nas imagens, nas lembranças, nas propagandas e no imaginário de quem vive ou visita Santos. É um símbolo da identidade da cidade", apontou o secretário.
Embora integrada de forma natural à rotina de quem caminha pela praia, a mureta nasceu de um projeto de reurbanização elaborado pelo engenheiro Carlos Lang em 1941, momento em que a Ponta da Praia começava a se consolidar como zona urbana do município.
As obras transcorreram entre 1943 e 1945, culminando com a inauguração oficial em 2 de julho de 1945. O conjunto arquitetônico da época incluía ainda a Ponte Edgard Perdigão e as rampas de acesso ao mar, elementos que redesenharam a relação do morador com o canal do porto e a pesca artesanal.
O gestor público Thales Veiga, autor do parecer técnico do processo, ressalta que o design ultrapassou a função estrutural.
"A mureta representa a relação do santista com o mar. Esporte, turismo, cultura, pesca e até o simples caminhar pela praia passam por ali. É um símbolo do santista. O reconhecimento é uma forma de preservar esse patrimônio para as próximas gerações", afirmou Veiga.
A proposta de tombamento teve início formal em 20 de fevereiro de 2026, após requerimento assinado pelo conselheiro Rafael dos Santos Oliva, representante do Gabinete do Prefeito no Condepasa.
Com o término da audiência pública, as sugestões enviadas por moradores e entidades serão anexadas ao processo administrativo. A equipe técnica do Condepasa analisará as contribuições antes de levar o parecer final para votação no conselho. Se aprovada, a mureta passará a figurar oficialmente no livro de tombo do município, assegurando a conservação do patrimônio material e a proteção das suas formas icônicas.