Projeto em São Vicente troca celular por cartas entre alunos da Área Continental

Estudantes de duas escolas municipais mantiveram correspondências por três meses e se conheceram em encontro presencial

Por
305 3 Min

Divulgação Prefeitura de São Vicente
Divulgação Prefeitura de São Vicente
RESUMO Sem tempo? Leia o resumo gerado por nossa IA
Clique aqui para Ler o Resumo

  • Encontro Misterioso: Alunos da UE Mário Covas Jr. e AMEI Rei Pelé se conheceram em São Vicente após trocarem cartas sigilosas desde junho.
  • Redução de Telas: A proposta pedagógica buscou diminuir o uso de aparelhos celulares estimulando a escrita e a leitura de gêneros textuais.
  • Inclusão no AEE: Mais de 30 estudantes do Atendimento Educacional Especializado participaram da atividade com o suporte de professora escriba.

Esqueça as notificações rápidas do WhatsApp e o uso excessivo das telas. Durante três meses, o principal canal de comunicação entre estudantes de duas escolas municipais da Área Continental de São Vicente foi o papel, o envelope e o selo. A experiência culminou em um encontro na quadra da UE Mário Covas Jr., onde crianças do 5º ano conheceram pessoalmente os correspondentes "secretos" da AMEI Rei Pelé, no encerramento do projeto “De Carta em Carta, Descobrindo Histórias”.

A iniciativa, idealizada pela professora Elizane Miguel (UE Mário Covas Jr.) em parceria com a professora Celeste Lima (AMEI Rei Pelé), utilizou o gênero textual das correspondências para desacelerar o uso diário dos celulares e aproximar os alunos por meio da leitura e da escrita.

“A ideia partiu da percepção de que as crianças estão muito ligadas à tecnologia. É celular o tempo todo. Então, pensamos em desenvolver um projeto que ajudasse a diminuir um pouco esse uso excessivo das telas, mas que, ao mesmo tempo, estivesse relacionado à leitura e à escrita”, completou a professora idealizadora, Elizane Miguel.

Do Livro Infantil ao Aprendizado Multidisciplinar

A referência para o trabalho em sala de aula foi o livro O Carteiro Chegou, de Janet e Allan Ahlberg. A obra serviu de ponto de partida para que os alunos aprendessem a estrutura de cartas formais e informais, bilhetes, convites e folhetos, além do preenchimento correto de remetente e destinatário nos envelopes.

O projeto avançou sobre outras disciplinas curriculares. Em História, as turmas debateram a evolução da escrita; em Geografia, trabalharam mapas e trajetos de circulação das cartas.

Para a aluna Laura, de 10 anos, a espera por cada envelope trazia uma dinâmica diferente da comunicação digital instantânea.

“Eu fiquei muito ansiosa para receber a carta e fiquei muito feliz quando recebi. A pessoa me fez perguntas sobre minhas coisas favoritas e sobre o time para o qual eu torço. Eu não sabia realmente quem estava fazendo a carta. Então, hoje é um dia muito legal e muito especial para mim”, contou a estudante.

A iniciativa também contou com a inclusão de mais de 30 alunos da sala de recursos multifuncional do Atendimento Educacional Especializado (AEE) da UE Mário Covas Jr., coordenados pela professora Fernanda Oliveira, que atuou como escriba durante o processo.

Emoção, Resgate e Desconexão Digital

Durante a tarde de revelação dos correspondentes, os alunos participaram de dinâmicas interativas, incluindo uma disputa de perguntas e respostas sobre o livro trabalhado no projeto. Para a diretora da UE Mário Covas Jr., Francilma de Paula, o projeto resgatou valores de convivência afetiva entre gerações.

“É um projeto muito gostoso de acompanhar, porque volta ao nosso tempo, quando nós nos comunicávamos através das cartas. Eu escrevi muitas cartas para primas, tios e padrinhos. Isso nos traz também muitos momentos de saudade, e ficou claro que eles se empolgaram muito”, ressaltou a diretora.


FONTE: Redação
Notícias Relacionadas »